O Ocio é o primeiro vinho chileno elaborado com uvas Pinot Noir ultra-premium e também o vinho ícone da bodega Cono Sur (subsidiária da Concha y Toro). Sua produção contou com cepas colhidas manualmente para que fossem, justamente, escolhidas apenas as melhores.
Por safra, apenas três mil garrafas de Ocio são produzidas. Talvez por isso o preço se aproxime de alguns Pinot Noir da Borgonha, o berço dessa casta. Também porque esse ícone da vinícola chilena é elaborado de forma diferenciada, em busca de se aproximar ao máximo da qualidade dos rótulos borgonheses da mesma uva.
De acordo com o enólogo e gerente-geral da Cono Sur, Adolfo Hurtado, considerado o melhor enólogo do Chile em 2006, o Ocio foi um grande desafio para a vinícola. "Desde os cuidados necessários com a Pinot Noir nos vinhedos até o engarrafamento, tudo fez parte de um processo lento e realizado com extremo esmero, combinando as técnicas tradicionais (como a de amassar as uvas com os pés) com a tecnologia (como a do controle de temperatura no processo de vinificação) do Novo Mundo", afirmou.
Para isso, Hurtado contou com a consultoria do enólogo francês e da Borgonha, Martin Prieur (Domaine Jacques Prieur), na elaboração do Ocio e para levar ao engarrafamento apenas o conteúdo das 10 melhores barricas 100% novas de carvalho francês.
O conceito do nome do vinho é baseado na Filosofia Clássica, que afirma que ócio (descanso) é a "merecida e sagrada pausa que se sucede à rotina diária de trabalhos e deveres. É o momento em que o espírito fica livre para crescer e criar”, disse Hurtado. “É um vinho para ser contemplado", opinou.
O vinho já mereceu destaque na sua cor intensa vermelho-rubi que, segundo o enólogo Adolfo Hurtado, gerente-geral da Cono Sur, é conseqüência também da grande concentração de uvas neste vinho. Assim, reduz a influência excessiva do afinamento de 17 meses em barricas novas de carvalho francês. Seu aspecto foi considerado adequado e a coloração, bastante correta, sem problemas.
Hurtado destacou a complexidade e a delicadeza do vinho, perceptíveis no aroma do Ocio, que exala frutas negras e um toque de florais relacionados a jasmins e violetas. Além disso, o enólogo apontou a presença de aromas de especiarias, típico de vinhos envelhecidos em carvalho, e notas de chocolate, bem perceptíveis ao aproximar-se a taça do nariz.
Nesse sentido, no exame olfativo o vinho foi considerado por seu produtor de excelente qualidade, de bastante complexidade, por conta dos diferentes aromas presentes, e ainda bastante intenso.
Hurtado continuou sua avaliação do Ocio afirmando que o vinho na boca revela o sabor de frutas no ponto certo, aliado ao seu equilíbrio entre tanino, acidez e álcool (14,1%).
Um vinho ideal para ser harmonizado com carne vermelha ou queijos maduros e que pode passar por até cinco anos de guarda.
O Ocio é um vinho que, apesar de estagiar por mais de um ano em barricas de carvalho, ainda consegue destacar perfumados aromas de frutas. Essa foi a primeira sensação de olfato que ele despertou. Isso mostra que muito do que a fruta proporcionou foi preservado no processo de vinificação. Um fator positivo, sem dúvida.
Contudo, a presença da madeira também é perceptível, mas não compete com as frutas vermelhas. Neste vinho, se confirma a velha máxima dos grandes exemplares: quanto maior o tempo de envelhecimento, mais complexidade de aromas o vinho desenvolve. No Ocio, aromas de frutas diferentes, às vezes flores e algo relacionado ao estágio nas barricas de madeira.
Na boca, demonstra elegância e mantém suas características de complexidade do aroma. No final, quando engolimos o vinho, o sabor do Ocio continua na boca, provando ser um exemplar de qualidade, persistente.
O ponto nem tanto atraente desse vinho é o preço de R$ 348,00. No entanto, não seria justo desencorajar o degustador a comprar esse rótulo, já que esse vinho, apesar de não ser um exemplar da Borgonha, é uma grata surpresa de Pinot Noir do Novo Mundo.
Carnes vermelhas, aves, patos, caças
Queijos maduros
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